Artes & Cultura

Dark Tower – The Drawing of the Three

O segundo volume da série “Dark Tower” de Stephen King é lançado em 1988, seis anos depois do primeiro livro da série, e talvez pelo tempo passado entre eles ou talvez pelas exigências da narrativa este “The Drawing of the Three” tem um tom completamente diferente do “The Gunslinger” que lhe precede.

Ainda que a narrativa em tudo seja contígua à do primeiro livro, continuamos a acompanhar as aventuras de Roland, o pistoleiro que parece saído dum Western pós-apocalíptico, a ambiência e o ritmo mudam bastante e tão intricado é este mundo criado por Stephen King que quanto mais nos é dado a conhecer mais parece estarmos numa história completamente diferente. Ilusão apenas. Todas as peças encaixam no puzzle de maneira brilhante e quanto mais se conhece maior é a vontade de conhecer mais deste mundo e da Torre Negra.

No livro anterior, ainda que no futuro, é-nos dada a sensação de estarmos num passado, num ecossistema e a acompanhar personagens que pouco se deslocariam de um convencional Western, em que algumas nuances, nos vão mostrando que algo não está bem, não bate certo, que aquela história não é bem igual a outras que tenhamos lido antes, a forma é parecida, o cenário, mas tudo o resto indicia ser mais do que nos é dado a ver quando começamos a seguir Roland no deserto. É acima de tudo uma viagem de descoberta, uma aventura, uma viagem que nos é proposta em “The Gunslinger”.

Tudo muda em “The Drawing of the Three” em que, ferido, Roland é forçado a viajar entre mundos através de portais deixados pelo Homem de Negro que, agora eclipsado, guia o pistoleiro através de intrusões mais ou menos frequentes à sua mente. Roland faz 3 viagens para recrutar companheiros que lhe serão essenciais à viagem, mas principalmente para sobreviver. As viagens são para o nosso mundo (entenda-se EUA, o Stephen King ainda não foi aquele autor que pôs os seus personagens a viajar no espaço-tempo para Abrantes, Loulé ou Figueiró dos Vinhos) nas décadas de 60, 70 e 80.

Para Loulé use a porta do meio. Cuidado com o degrau.

Esta experiência em si, a de um “cowboy” do século XVIII a vaguear em cidades americanas de hoje, seria desafiante por si só mas acontece que quando Roland passa os portais que ligam o seu mundo ao nosso, ele não passa fisicamente, apenas a sua mente atravessa e ocupa o corpo de outrem. Assim sendo, Roland, um pistoleiro moribundo atravessa portais para outro mundo, possuindo pessoas (processo tão estranho e alienígena para Roland como para o leitor), não pessoas aleatórias, mas pessoas escolhidas a dedo pelo Homem de Negro (ou qualquer outra força que esteja a mover todas as peças deste tabuleiro), pela sua exoticidade.

É divertido de ler. Menos divertido para os personagens em si, diria, mas a verdade é que todas estas deambulações entre mundos acrescentam bastante suspense, romance e drama, ao melhor jeito de um thriller que “The Gunslinger” não tinha. A exposição das fragilidades dos personagens confere-lhes também uma humanidade (ou várias facetas da humanidade) que é explorada de maneira mais profunda do que no primeiro livro da série. No cômpito geral é também um livro bem mais detalhado (e maior) do que o anterior.

Em relação ao final não me alargarei, dizendo apenas que abre a continuação do caminho para a Torre Negra através de The Wastelands, o terceiro livro desta aventura, que promete.

Nuno Soares

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