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Naturopédia – Nº16, Sardinha

Sardinha (Sardina pilchardus) – LC (Pouco Preocupante)

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Um dos peixes que reina nas mesas portuguesas, especialmente nas festas dos Santos Populares e arraiais de Verão, a sardinha é também um peixe muito importante para a indústria conserveira portuguesa.

Este peixe pertence à família Clupeidae, à qual pertencem outras espécies de interesse comercial, como o arenque.

A sua distribuição compreende uma área que vai desde o Atlântico Norte, até ao Senegal, e Mar Mediterrâneo e Mar Negro para leste.

Em território nacional, as sardinhas são mais numerosas perto das embocaduras dos rios e rias, sobretudo na costa Noroeste entre o Porto e a Figueira da Foz e na região de Lisboa.

Os juvenis e os adultos ocorrem em águas costeiras entre os 25 e os 100m de profundidade.

O seu estatuto de conservação na região Mediterrânica, segundo o IUCN, é Quase Ameaçado.

A sardinha é um peixe de corpo alongado, de cor azul ou verde prateado na zona do dorso e prateado no ventre, os flancos têm manchas redondas e escuras. Pode chegar até um comprimento máximo de 27,5 cm. Os sexos são distinguíveis pela observação dos órgãos reprodutores internos (ovário/testículos).

É gregária, juntando-se em densos cardumes que podem atingir os 100 m2 de área e as 10 toneladas. De dia, estes cardumes deslocam-se em águas mais profundas, subindo de noite a águas mais superficiais para se alimentarem.

A sardinha apresenta dois modos de alimentação: filtração passiva e predação ativa. Alimenta-se de plâncton, em particular microalgas, copépodes e outros crustáceos, bem como ovos de peixes (maioritariamente os seus próprios ovos). As sardinhas são uma espécie bastante móvel, que efectuam movimentos migratórios. Estas migrações não são bem conhecidas, mas há indicações de migrações sazonais ao longo da costa e de migrações à medida que crescem, para a costa Norte de Espanha.

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Na costa portuguesa, a reprodução ocorre durante um período alargado, de Outubro a Abril, sendo mais intensa entre Dezembro e Fevereiro.

A sardinha acumula gordura desde o final da Primavera até meados do Outono, que utiliza para ter energia para produzir as células necessárias à reprodução durante os meses seguintes. Esta gordura, rica em ácidos gordos polinsaturados (principalmente do tipo ómega 3, em particular EPA e DHA), acumula-se no músculo e em redor das vísceras e confere-lhe o paladar típico muito apreciado.

No Verão apenas 15 g de sardinha são suficientes para fornecer 500 mg de ácidos gordos polinsaturados, dose diária recomendada na prevenção de doenças cardiovasculares. No fim da época de desova, a sardinha está magra porque gastou essa gordura na reprodução.

A reprodução envolve fecundação externa dos ovos. Dos ovos eclode uma larva que passa por um processo de metamorfose que durará 40 dias, transformando-se em juvenil no final. 

Atinge a idade adulta com um ano de idade, ao chegar aos 14cm de comprimento e pode atingir cerca de 90% do comprimento máximo durante os dois primeiros anos de vida.

Vivem até aos 14 anos de idade, no entanto, na costa portuguesa são mais comuns as sardinhas mais jovens (até 6-7 anos).

No que toca à pesca, a sardinha é principalmente capturada com a arte do cerco, estando, no entanto, presente em quantidades diminutas nas capturas de outras artes como o arrasto, redes de emalhar (sardinheiras) e arte-xávega.

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A sobre-exploração dos stocks de sardinha, aliada aos efeitos das alterações climáticas são actualmente as principais ameaças a esta espécie.  Segundo um relatório do IPMA, desde 2006 que não existe um número suficiente de juvenis para repor os stocks. O que levou a um decrescimento da biomassa do stock de 73%, entre 2006 e 2017.

Nos últimos anos, têm sido feitos avanços consideráveis na descodificação do genoma da sardinha, e criação desta espécie em regime de Aquacultura, o que terá aplicação na gestão de stocks e na conservação desta espécie emblemática e muito consumida em Portugal.

Links recomendados sobre esta espécie:

Ficha da Sardinha no Guia WWF para Consumo de Pescado

Ficha no IPMA

Luís Santos

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