Artes & Cultura, Nas Asas da Poesia, Rubricas

A Transformação do Oceano – Canto II

Canto I 

Era uma vez um oceano que tinha secado

E num imenso deserto se havia tornado

E, a cada momento, ousava sonhar

Com um passado ao qual desejava voltar.

 

O sol lá bem alto no céu a brilhar,

O calor que tudo conseguiu secar

E a chuva que não mais se viu a cair

Tiraram-lhe a vontade de sorrir.

 

A água, a vida, a imensidão

Hoje não são mais que desolação

E as ondas, correntes e cada maré

São meras memórias do que já não é.

Marco Gago

 

Canto II

CAMEL-RIDE

E repensou :

“Cem mil anos soprei lamentos

Por da falta de água e sal.

Outros cem mil chorei pó

por não ver o peixe nadar.

Mais cem mil para tolerar a areia

E ainda outros cem mil

para me habituar ao vazio.

 

Ao fim de cem mil mais

Já sentia as novas vestes como minhas.

 

Aprendi a voar no tornado como fazia no tufão.

A esculpir a duna como se fora onda.

A contar o escorpião, a cobra e o rato

Qual sardinha, tubarão ou baleia.

A seguir a caravana do homem berber,

Semelhante do barco do pescador.

A descansar no oásis verde

Primo da ilha secreta.

A respirar a aragem seca

Oposta ao iodo reparador.

 

E por cem mil anos me deixei estar…

Encantado.

 

Que vou fazer nos cem mil anos seguintes?”

Rafael Nascimento

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