Artes & Cultura

Dark Tower

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Era já uma curiosidade com algum tempo, devido às temáticas que decide abordar e pelas referências à qualidade da escrita, e finalmente decidi aventurar-me em obras de Stephen King.

A obra escolhida para esta estreia foi o primeiro volume da octologia “Dark Tower” (A Torre Negra, em Português), coleção que serviu de base a um dos mais desinspirados filmes (Dark Tower (2017), de Nikolai Arcel) que possam ter gasto as retinas a ver.

A primeira impressão foi interessante. Nada há neste primeiro volume que justifique o título de “Rei do Horror” que King carrega, pois “The Gunslinger” não é de todo um conto dessa índole.

Stephen King é, no entanto (ou terá sido pois o livro não é recente, é de 1982), extremamente cru, de uma frontalidade e objectividade que têm tanto de geniais como poderão ser brutas e cruéis aos olhos de leitores mais sensíveis.

Dark Tower: The Gunslinger decorre num mundo pós-apocalíptico, sujo, seco e árido, do qual não nos é dada muita informação de início e mesmo durante o desenrolar da história parcos e fragmentados são os elementos que nos chegam, maioritariamente através das memórias de Roland, o Gunslinger, um pistoleiro que persegue o Homem de Negro, um poderoso feiticeiro a quem é indiciado um papel, não de somenos importância, na queda da civilização que viu nascer Roland.

A perseguição envolve demónios, possessões e mutantes, um viajante de outro mundo, tripes de mescalina e muito tiroteios, e acaba a desvendar mais sobre quem é, de onde vem e para onde vai Roland.

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A escrita de Stephen King tem um ritmo furioso que não sou capaz de não admirar, não só porque poucos são os autores que o decidem fazer, como ainda menos são os que o fazem bem.

E não é para menos, quanto mais rápida é uma narrativa menos espaço há para a construção do mundo que a suporta e é muito fácil cair-se em inconsistências que minem a credibilidade da história ou, igualmente trágico, torna-la insípida e sem substância.

Stephen King finta com brilhância essas limitações através de uma escrita fluída, emotiva, maleável e com uma riqueza de elementos tão díspares como magia, pistoleiros à Western, viagens entre mundos e referências bíblicas, que longe de se estranharem, entranham-se numa narrativa rápida que pede para ser devorada.

Uma promissora abertura da saga.

Nuno Soares

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