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Carta a Einstein

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Caríssimo Albert,

Antes de mais peço-lhe que me perdoe a presunção. E a ousadia de não o deixar sossegado onde estiver. Não me conhece nem tenho referências ou notoriedades que abonem por mim.

Acontece que, nestes tempos em que vivo, a inteligência artificial está em grande desenvolvimento. E no que toca a inteligência, você é uma referência. O seu pensamento genial mantém bastante actual o Prémio Nobel de Física que lhe foi atribuído em 1921. Consta que a sua descoberta da lei do efeito fotoeléctrico foi fundamental no desenvolvimento da teoria quântica entre um mundo de outras coisas para as quais sou bastante iletrada.

Dizem que a sua ascendência judia numa altura da história particularmente perigosa (1879-1955) não inibiu o devido reconhecimento dos pares e dos poderes (em 1999 a revista TIME classificou-o como a pessoa do século XX), a sua celebridade académica mundial e as merecidas honras em vida.

Pronto já o devo ter aborrecido de morte.

Mas, de facto a justificação desta carta deve-se a dois aspectos que me inspiraram muito mais do que os seus feitos na Física. O primeiro tem a ver com a circunstância de ter tido um filho com deficiência, o que imagino que seja um dado maior na sua humanidade; o segundo, tem a ver com a sua vertente de músico.

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“Se eu não fosse um físico, provavelmente seria músico. Eu penso sobre música frequentemente. Eu sonho acordado com música. Eu vejo minha vida em termos de música … obtenho mais alegria na vida através da música.”

— Einstein, 1929

É muito menos conhecido que você teve uma inicial musical precoce que depois desenvolveu por sua conta e gosto. A música possuía para si um significado incomum e, para além das atuações sociais, tocava em círculo de amigos. À época, tocar música em casa era uma coisa natural durante os encontros e reuniu cientistas e músicos em Princeton para tocar Mozart, Bach e Schubert. Perto do fim de sua vida, quando o Quarteto de Cordas Juilliard (da Juilliard School, de Nova Iorque) visitou-o em Princeton, ainda tocou violino com eles.

Este arrazoado primário para lhe dizer das minhas preocupações com a inteligência artificial. Você foi um génio, mas era gente.

Agora estamos num tempo em que as pessoas parecem robots e os robots estão programados para ser gente.

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Temo mesmo estar a aborrecê-lo imenso com os meus dramas. Mas quer saber de tudo, tudo, tudo o que diz de si e dos seus contributos científicos, o que mais me fascina? Sobretudo a sua defesa da divergência, da paragem criativa e da simplicidade.

Obrigada por isso. Porque da importância disso eu entendo.

Sinceramente sua fã

Isabel Passarinho

Einstein: “Se não consegues escrever sobre um assunto de uma forma simples, é porque na verdade não o entendes”.

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