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Se é para comer, venham os Novos e os Velhos!

O Velho Novo, Fevereiro 2019, Ferragudo

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Fazendo justiça a um hábito da juventude mais vivida, o Velho gosta de estar naquela esquina fresca e soalheira da Manuel Teixeira Gomes, e talvez por honra ao patrono seja também boémio, franco e artista. Daquele cantinho pitoresco, recheado de artefactos do seu tempo, o Velho é sempre Novo para alguém, porque todas as culturas parecem vir ali desaguar, ora recomendadas por clientes antigos ora incitadas pela curiosidade que a discreta “casa de pasto” desperta.

A entrada é estreita e o espaço não permite grandes multidões, pelo que se aconselha a reserva, até porque só servem jantares. Uma vez lá dentro, sente-se a grandeza da cozinha portuguesa que aos poucos parece extinguir-se dos nossos restaurantes, sobretudo nestas zonas de forte afluência turística. O Velho serve-nos como um bom avô: prato a transbordar de produtos naturais, cozinhados de forma simples, tradicional, genuína: é assegurado o sabor bem português e a barriga muito satisfeita. Destacam-se as entradas de marisco e nos pratos principais há escolha variada para carne e peixe, do bacalhau à picanha, das lulas à espetada de vitela, do espadarte aos lombinhos.

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Pudemos comprová-lo nesta primeira visita, apostando na entrada de amêijoas à bulhão pato, cujo barómetro de qualidade se comprovou na ruptura do stock de pão à mercê do safado do molho. Seguimos os conselhos da gerência e serviram-nos uma costeleta de novilho soberba e uma espetada de tamboril e gambas impecável. Ambos sobejamente servidos, grelhados no ponto e com legumes e batatas fritas à antiga, isto é, frescos e graúdos.

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Os vinhos denotam também o amor telúrico e o orgulho nas produções locais, apresentando uma apreciável gama de vinhos algarvios entre sábias escolhas de outras origens nacionais. Não desprezando jamais o vinho da nossa região, desta feita quisemos reencontrar um velho amigo alentejano, singular, suave e refrescante, como o ambiente da casa: Pato Frio Cashmere foi a escolha.

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O serviço atencioso e descontraído revelou-se um dos pontos fortes da casa, fidelizando estrangeiros e locais com uma empatia e sotaque bem portimonenses, reavivando o linguajar antigo na mocidade que ali opera com gosto. Mas atenção aos mais distraídos, não vão confundir este sotaque com o do prestável brasileiro que nos confessou que a Banoffee da casa estava no seu coração. É, meu irmão, parece que ficou nos nossos também. Há tartes mais tradicionais (delícia algarvia, torta de laranja e alfarroba) e o doce da casa ou o cheesecake com óptimo aspecto, mas esta foi uma escolha estupendamente acertada.

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Despedimo-nos d’O Velho Novo com um gracioso medronho que o incansável Olavo fez questão de nos trazer, e trouxemos de Ferragudo coração e barriga cheios, felizes por comprovar que os bons Velhos hábitos se mantêm de boa saúde onde sempre gostámos de os ver: na dobra da esquina, olhando a rua que passa por eles, sempre com uma sábia conversa e um bom petisco à nossa espera. Até breve, Velho!

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Restaurante O Velho Novo

Rua Dr. Manuel Teixeira Gomes Nº2

8400-260 Ferragudo

17h00 – 23h45 (encerra aos Domingos)

T: 282 461 152

Preço: médio

Maria João Barbedo e Roberto Leandro

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