Artes & Cultura, Nas Asas da Poesia, Rubricas

A Lenda – Canto IV

Canto I

Era uma vez… o vazio,

Uma vasta imensidão negra e oca

Sem ganância, nem fastio,

Sem repugnância, nem estio,

Sem a humanidade louca

Presa por um fio,

Apenas… frio.

 

Frio, pois o vazio sem estio nunca ouviu que se podia aquecer,

Sem saber, pudera jamais perceber o quão bem sabe o calor,

O calor que é vida, que é ferida desmedida de alegria, que é ardor,

Que é amor… ai, o calor.

 

Não esquecer que sem saber do esplendor do calor,

O vazio preteriu o rubor, paleta infinita de sabor,

À férrea firmeza do frio.  

Assim era o vazio…

NS

Canto II

 

Não obstante, reza a lenda que o vazio, nessa contenda

De ser frio pra lá do que se compreenda,

Foi tocado por frieza maior que a sua

E despido como era, alma nua

Enfrentou a mais suprema frivolidade:

Conheceu a solidão da eternidade.

 

Foram negros, abismais todos os dias procedentes.

Já o vazio nem nome tinha, nem parentes,

E ao redor ensurdecia a calmaria.

 

Mas nos escombros sobre os ombros do vazio

Que tremia, se tremia (!) já de frio

Reluziu pequena e frágil labareda…

Anunciando a chama viva e franca e leda,

a que o negro a pouco e pouco talvez ceda

viu o vazio sinais de estio e então sorriu,

ante a bonança do clarão fugaz da esperança.

RL

Canto III

 

A chama que brilhava, debilmente,

Lutava p’ra manter a alegria

E para ali plantar uma semente

Que ao mundo do vazio, por fim, traria

Algo que havia muito se extinguira.

 

E o vazio sem perceber o que sentia

A razão de sorrir se perguntou

E aquela nova luz que aparecia

Trouxe algo que ele desconhecia

E um caminho novo revelou.

 

Na nova estrada que seguiu

Enorme dúvida o inundou:

“Se algo novo em mim surgiu

Será que ainda sou vazio

Ou algo novo hoje sou?”

MG

Canto IV

lenda - nuno

Caminhando…

Vazio.

Perguntando…

Luzidio.

 

Saltitando…

Vazio.

Questionando…

Luzidio.

 

Correndo…

Vazio.

Duvidando…

Luzidio.

 

Luzidio na inspiração,

Vazio na expiração.

Em rutilante rotação;

Translação em aceleração.

 

Em implosiva expansão;

Sublimação da escuridão.

Em estática transformação;

Reconstrução da destruição.

Em sórdida ebulição

Respiração do coração.

 

Explosão!

 

Ficou vazio o Vazio.

Morreu.

Nasceu.

Ficou cheio, o Vazio

Baptizado de Universo.

 

Rafael  Nascimento

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