Artes & Cultura, Rubricas, Transverso

Transverso – Os Samurais

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Kon’nichiwa!

Abrimos o ano de sabre em riste, lacerando um pouco do universo dos samurais na literatura e no cinema.

A retalhar por cinco livros temos A Saga dos Otori de Lian Hearn. Esta vigorosa e assombrosa história imerge-nos num Japão medieval ligeiramente alternativo, tão ténue a diferença que se aproxima mais do romance histórico do que do fantástico. Aliás, os elementos fantásticos são pormenores exóticos que provavelmente aos olhos de um oriental não se afiguram tão inverosímeis. Em traços gerais temos o típico épico arturiano mas com samurais, vestido de tradição e temas intrínsecos da cultura japonesa. Apesar dos moldes serem conhecidos, a riqueza desta história reside sobretudo na descrição das relações humanas, imbuídas das idiossincrasias nipónicas, e na forma galopante como a acção nos leva pelas mais complexas batalhas, mais sanguinários combates, mais trágicos romances e mais trama política. Como nota curiosa, os portugueses (ou algo foneticamente parecido) são parte constituinte deste mundo, com o mesmo papel histórico que conhecemos (ou não). Uma colecção para amantes de fantasia, Japão e tragédias clássicas.

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Com um golpe certeiro abrimos o cinema com Yojimbo (1961), do mestre Akira Kurosawa. Muitas histórias de samurais foram contadas, retratadas e até adaptadas a filmes de cowboys [Yojimbo tem a sua versão em Django (1966)], mas poucas foram tão longe ao ponto de desconstruir e desmistificar a figura do samurai marcial e honrado.  O valor da força e da destreza tática é substituído pelo elogio do intelecto e da estratégia. Yojimbo resolve o seu desafio com pouco ou nenhum recurso ao sabre e katana, preferindo usar o teatro, a manha e a sagacidade para cerzir uma teia armadilhada aos costumeiros bandidos. Uma verdadeira demonstração de filosofia Zen. Um filme antigo que merece ser redescoberto nos tempos modernos.

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Para o fim, em jeito de harakiri, cravamos uma punhalada no ventre do Transverso e rasgamos a direito, enquanto algum mestre lhe corta a cabeça! Que esta morte ritual faça renascer para o mês que vem uma nova rubrica… Até lá!

samurai

Rafael Nascimento

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