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Naturopédia – Nº15, Grifo

Grifo (Gyps fulvus)  – (LC – Pouco Preocupante)

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Embora nos remeta para o nome de uma criatura mitológica, o grifo é na verdade, uma das três espécies de abutre que ocorrem em Portugal.

O grifo é uma ave da família Accipitridae, à qual pertencem várias espécies de aves de rapina que habitam partes diferentes do Mundo. Em Portugal o seu Estatuto de Conservação, é Quase Ameaçado.

O grifo distribui-se sobretudo pelo Sul da Europa e Ásia, e pelo Norte de África.

Em Portugal, dos melhores sítios para se encontrar este abutre, destacam-se os Parques Naturais do Douro e Tejo Internacional, zonas fronteiriças da Beira Interior, Marvão no Alentejo, e a península de Sagres, no Outono, durante a época migratória. O seu habitat de eleição são as zonas abertas, com poucas ou nenhumas árvores, planícies, montanhas ou planaltos montanhosos.  Evita florestas e áreas densas de vegetação, zonas húmidas, lagos, e estuários ou zonas marinhas. No nosso país nidifica em colónias, nas escarpas rochosas de barrancos fluviais ou cristas montanhosas.

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O grifo caracteriza-se por ser uma ave bastante grande, podendo atingir entre 93-122cm de comprimento, 2.3-2.8m de envergadura e uns imponentes 6.2-11.3 kg. A plumagem é acastanhada com tonalidades castanho-creme nas penas das asas (coberturas). A cabeça e pescoço, como nos outros abutres do Velho Mundo, é desprovida de penas, tendo apenas penugem. Ao contrário do que se pensava antigamente, esta adaptação está relacionada com a regulação de temperatura na zona facial, e não com os seus hábitos alimentares. É gregário, formando frequentemente bandos de algumas dezenas de aves.

Apesar do seu tamanho, os grifos podem voar longas distâncias sem bater as asas, devido ao seu hábito de apanharem correntes térmicas ascendentes.

Os grifos, tal como os outros abutres, são necrófagos e têm uma função muito importante nos ecossistemas: como se alimentam de cadáveres, podem reduzir a propagação de doenças, algumas delas transmissíveis aos seres humanos. A sua alimentação consiste nos tecidos moles de carcaças de mamíferos de médio/grande porte. O alimento é detectado através da visão, através dos movimentos de outras aves, que encontram os cadáveres primeiro.

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No ano passado, um estudo feito por biólogos de Espanha, concluiu que os abutres de lá, geralmente não atravessam a fronteira para se alimentarem deste lado.

Isto prende-se com o facto de que a lei em Portugal, manda recolher e incinerar todos os animais de pecuária que morrem, não deixando que as carcaças permaneçam ao ar livre.
Esta prática é apenas possível, em campos de alimentação devidamente aprovados e licenciados, pelo ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e Florestas) e a DGAV (Direcção Geral de Alimentação e Veterinária).

Para além da falta de alimento, os abutres enfrentam várias ameaças, como o uso ilegal de iscos envenenados, eletrocussão em linhas de alta tensão, a instalação de parque eólicos, amplamente implementada em Portugal e que muitas vezes leva a colisões com as pás do aerogeradores, e a perseguição humana, que embora seja menor, constituiu num passado recente um factor importante de mortalidade.

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Foi recentemente aprovado em Portugal, o uso de fármacos anti-inflamatórios para animais de pecuária, que têm por base o Diclofenaco como substância activa.
Este fármaco é tóxico para os abutres e se ingerido, provoca falência renal, dias depois de ser consumida a carne contaminada.

No Sul da Ásia o Diclofenaco quase que extinguiu as populações de abutres.
Infelizmente muito ainda há fazer, para assegurar o regresso em força destes seres, que são os grandes limpadores dos nossos ecossistemas. Mas tempos melhores virão, certamente.

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Links recomendados sobre esta espécie:

  1. Ficha no Aves de Portugal
  2. Ficha na IUCN
  3. Ficha no ICNF

Luís Santos

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