Artes & Cultura, Nas Asas da Poesia, Rubricas

Nas Asas da Poesia – Muda, Mudança

Mudança

Amiúde

quer que mude

este mundo em sobressalto

Eu sem virtude

nem saúde

prá corrida nesse asfalto

 

Muda a Língua

faz-se míngua

e eu errando a toda a hora

É a Língua feita muda

quão sisuda

está, Senhora!

 

É o clima

lá por cima

a mudar obstinado

Minha sina

gabardina

e o sol derrete o telhado

 

Muda o código

tão pródigo

em mandar-me uma cartinha

Baixa o IVA

gritam «VIVA!»

enquanto um touro definha

 

Mudam g[ó]stos

Mudam rostos

Mudam filhos

Mudam pais

Mais impostos

Mais desgostos

Mais revoltas (nas redes) sociais

 

Muda ainda a tradição

a oração

e o dinheirinho

Novo Credo: inovação,

Salvação é o choradinho

 

Muda a gente

é urgente

arranjar emprego fora

A juventude

que se mude

que por cá…só muda a hora.

 

Muda a moda

anda a roda

o consumo é lotaria

Ninguém espera

Acelera!

Ou adere à ciclovia

 

Foge foge

Muda muda

É preciso evoluir

Ai de nós quem não se cuida

e anda aí a dormir

 

Fujo fujo

Mudo mudo

Sou uma empresa de mudanças!

Mais me sujo

Mais me iludo

e não mudam as finanças

 

Fujo fujo

Mudo mudo

qual sabujo

vou com tudo

Haja esperança

que a mudança

traga mais que um osso duro

 

Fujo fujo

Mudo mudo

qual marujo

no entrudo

Vira a dança

que esta cansa…

e eu não mudo o meu futuro.»

Roberto Leandro

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