Ambiente & Cidadania, Fotossíntese, Rubricas

Fotossíntese – Beatas no chão? Merecem um palavrão!

Beata na praia

É oficial: o Verão está a bater em retirada, os dias estão a diminuir e até a Leslie já nos bateu à porta (em alguns casos derrubou-a mesmo, que falta de educação!).

Nesta rubrica vou focar-me num ato que pude observar ser feito e repetido, e repetido, e repetido milhares de vezes: atirar a beata para o chão. Todos temos o direito à liberdade, fumar é um ato livre, qualquer pessoa a partir de certa idade o pode fazer de forma consciente, desde que o faça nos locais adequados, OK, até aqui tudo bem.

A expressão “o ar é de todos” alerta-nos para o facto de a pessoa não fumadora ter direito a respirar ar sem fumo, pois bem, eu invento neste preciso momento a expressão “o chão é de todos”, pois todos temos o direito de pisar um chão sem beatas. 

Problema: Dados recentes, divulgados pelo Jornal Público, revelam que por minuto sete mil beatas são deitadas para o chão em Portugal. Sete mil? Por minuto? Coisinha pouca. É só multiplicar, num só dia podíamos encher um campo de futebol com todas elas.

O grande problema que identifico nas pessoas insistirem em atirarem a beata para o chão não é a falta de informação mas sim o facto de este gesto ter sido interiorizado e rotinizado ao longo de muitos anos,  tornando-se um gesto automático como lavar os dentes  ou conduzir um carro. A partir do momento em que aprendemos e repetimos esse mesmo gesto inúmeras vezes já não precisamos de pensar nem na forma, nem o por que o fazemos.

Beata

Solução: Acredito que a grande solução para este problema é dotar as pessoas de consciência, alertá-las para o facto de que o seu acto têm consequências diretas em todo um ecossistema, na sua comunidade, nos seus vizinhos, na sua família e nela própria. O mundo gira em si próprio, os ciclos naturais são circulares e tudo o que vai, acaba um dia por voltar, e o que vai no caso das beatas é bastante mau.  Ora desconstruamos os mitos sobre as beatas:

  • As beatas não são biodegradáveis, demoram cerca de 10 a 12 anos para se decomporem (mediante condições climatéricas favoráveis e nunca na totalidade), durante esse tempo fazem uma vida louca apanhando banhos de sol numa praia mais próxima ou brincando num relvado do jardim onde os nossos filhos brincam.
  • Até se decomporem o seu filtro liberta cerca de 4700 substâncias, 700 das quais tóxicas como: chumbo, arsénio, urânio, cádmio. Como a beata se encontra na terra, estas substâncias ficam na terra onde cultivamos os nossos legumes e vegetais e acabam por entrar nos lençóis de água.
  • Quando vão parar ao mar as beatas, transformadas em microplásticos, são constantemente ingeridas pelos peixes, entrando facilmente na nossa cadeia alimentar.

Portanto, quando vimos alguém deitar simplesmente um cigarro para o chão devemos alertar a pessoa para que não o faça, explicando calmamente todas estas razões (caso o recetor da mensagem esteja interessado). Somos todos afetados por isto, e isto, é uma questão de alerta mundial!

A verdade é que, apesar de não ser um artigo reciclável, por cada beata que colocamos no lixo o ganho ambiental é imenso!

Outro excelente exemplo é o da Associação Green Smoker Alliance, que está a trabalhar na implementação de um ciclo sustentável  de consumo de tabaco em Portugal. A premissa é muito simples:  criar uma espécie de ecopontos portáteis para beatas que são recolhidas diretamente dos consumidores. Depois de recolhida a beata é transformada para voltar para o mercado. O protótipo do beatão – um pequeno cilindro de plástico-  já está a ser lançado, leva cerca de 15 beatas e é reutilizável.

Portugal sem beatas

Vamos fazer força para que tenha sucesso! Queremos ver a calçada portuguesa reluzente e limpa, queremos que as nossas crianças brinquem nas praias sem beatas por perto!

Não se esqueçam de difundir a palavra!!

Sempre em fotossíntese até à próxima dica.                      

Sofia Ramalho

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