Ambiente & Cidadania, Artes & Cultura, Editorial, Rubricas

Editorial – Outubro

Eu editoro, tu editoras, ele editora… assim se conjuga o singular do presente do indicativo do verbo editorar, verbo importante de referir num editorial.

E para quê evidenciar flexões gramaticais no arranque do mês quando a malta ainda está com uma ramela no olho, cara de segunda-feira e a pensar que este fim de Setembro teve mais de verão do que todo o verão junto e que não tarda o inverno está já aí? Ora, toda a gente sabe que depois das férias, altura em que o ritmo anda mais baixo, em que calmamente se relaxa e usufrui das benesses da vida, e principalmente antes de exercitar é importante aquecer músculos e articulações, e as flexões gramaticais são a melhor maneira de se preparar corpo e alma contra as tendinites que surgem enquanto se editora vigorosamente como será, certamente, o caso deste mês de Outubro.

Bem, e finda esta quase apologia das férias, vamos ao que importa e comecemos por falar de algumas coisas interessantes que aconteceram enquanto estivemos a molhar os joanetes nesse paraíso tropical que é a praia da Cruz Quebrada:

Praia da Cruz Quebrada
Praia da Cruz Quebrada: corpos estranhos na água poderão ser dejectos humanos, ou não

Coisas interessantes que aconteceram no mês de Setembro

1) Então não é que o sr. Presidente da República decidiu albergar nos jardins do palácio de Belém mais uma edição da Festa do Livro?

Presidente da República
O sr. Presidente da República

Uma pessoa até estranha quando nos aparece um político a saber como utilizar um livro e este traquina vai de organizar assim certames de literatura à farta? É indecen… eu acho que faz muito bem e os nossos compinchas da Obnósis Editora acharam também (tinham perdido faz tempo mas finalmente acharam) e lá estiveram a divulgar o seu meritório trabalho e a lançar mais um título de muito valor: O Surto: Ascensão, a continuação de O Surto, de António Limpo e que conta (atentai) com bitaites do Opina na contra-capa, dado que nos foi dado o privilégio de podermos ler a obra ainda antes do seu lançamento. Em breve (se não for antes), contamos partilhar convosco, tal como fizemos com o seu antecessor, uma análise mais detalhada desta obra que tem tudo para se tornar viral.

2) Já reparam, quem foi à praia neste solarengo mês de Setembro, que ainda não temos manchas de nafta e peixes mortos a boiar à beira dos nossos areais? E sabem porquê?

Sushi Nafta
Sushi de Nafta, Chef Mujimoto

Porque a exploração de petróleo que devia, segundo os acordos estabelecidos entre o Governo Português e a petrolífera italiana ENI, começar este mês na costa de Aljezur, no Algarve, não começou ainda, o que nos deu pelo menos um Setembro de sol menos oleoso do que o que podia ser. E sabem porquê?

Respostas possíveis:

1 – Porque a ENI fartou-se de fazer dinheiro à conta de destruir os ecossistemas e meios de subsistência das pessoas que vivem nos locais onde fura à procura de petróleo e agora vende algodão doce e farturas.

2 – Porque o Governo Português decidiu ouvir a vontade várias vezes expressa por um sem fim de cidadãos, autarcas e empresas, por todos os meios legais existentes para o efeito, entendeu que a exploração de petróleo seria prejudicial para os visados e para o país e decidiu mandar a ENI dar uma volta.

3 – Porque o tribunal de Loulé deu razão a uma providência cautelar movida pela PALP (Plataforma Algarve Livre de Petróleo) e suspendeu os contratos de exploração de petróleo.

Nota: Para quem for daltónico e não conseguir distinguir o vermelho do verde, a resposta correcta é a terceira.

palp
PALP: A salvar cegonhas desde 2015

Pois é, a grande empresa do petróleo e os seus amigos com acento (`) na estrutura política do nosso país estão, por agora, impedidos de esburacar o nosso leito marítimo em busca de milhões fáceis, para eles, que nos deixariam com todos os resíduos e consequências nefastas de tal operação. No entanto, o Governo Português, como intransigente defensor do povo Portu… de empresas petrolíferas Italianas recorreu da decisão do tribunal de Loulé e, é possível, que consigam reverter a ordem judicial.

Acautelando essa possibilidade a PALP está a tentar mobilizar as instituições políticas e judiciais da União Europeia para que se manifestem contra o parecer que a APA (Agência Portuguesa do Ambiente), sob a tutela do Governo Português, emitiu contra a necessidade de uma avaliação de impacto ambiental que, como é público, nunca foi feita para os contratos de exploração de petróleo em Portugal. 

Com o prazo para o início da exploração de petróleo em Aljezur marcada para Setembro de 2018, e com a luta nas frentes referidas, a PALP está a realizar uma campanha de crowdfunding para ajudar a pagar as incontornáveis despesas processuais de tribunais e advogados, necessárias para levar estes processos a bom porto e, de uma vez, cancelar os contratos de exploração de petróleo tão alegremente assinados pelo governo PSD/CDS de Passos Coelho e Paulo Portas e carinhosamente apadrinhados pelo governo PS de António Costa.

Porque na Cultura e no Ambiente o futuro é o que fizermos dele, não deixem de ser activos nestas temáticas que, boas ou más, definem e definirão que tipo de país temos e em que tipo de país viveremos.

Um óptimo Outubro para todos,

Nuno Soares

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s