Ambiente & Cidadania, Naturopédia, Rubricas

Naturopédia – Nº11, Boto

Boto (Phocoena phocoena) – (LC – Pouco Preocupante)

Boto 2

O boto, também conhecido por toninha-comum, é uma espécie de cetáceo que ocorre no Hemisfério Norte, principalmente no oceano Atlântico, mas também no oceano Pacífico e até no Mar Morto, sendo uma espécie residente na costa portuguesa.

É o cetáceo de menor dimensão do oceano Atlântico com 1,4-2,0 m de comprimento, sendo as fêmeas ligeiramente maiores do que os machos, e atingem os 50-90 kg de peso. As características morfológicas consistem em dorso preto, ou cinzento escuro e o ventre claro. Barbatanas peitorais pequenas e negras e barbatana dorsal triangular. A cabeça é pequena e arredondada, sem bico, com 21-28 pares de dentes pequenos e aguçados em cada maxilar.

Pode ser encontrado em baías, estuários e zonas de profundidade inferiores a 200 m (o mergulho mais profundo registado foi de 224m), onde se alimenta de peixes, cefalópodes e crustáceos.

Os botos deslocam-se em pequenos grupos e são bastante tímidos. Não saltam para fora de água e mostram-se pouco à superfície, o que os torna difíceis de observar. Nadam lentamente atingindo os 20 Km/ h.

Boto 3

Embora o seu estatuto de conservação global seja Pouco Preocupante, está classificado desde 2005 como Vulnerável, pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. No entanto, os dados mais recentes (de 2010 a 2015) indicam que o boto está agora Em Perigo, ou seja, com um risco de extinção muito elevado.

A razão por trás desta ocorrência, tendo sido noticiado recentemente, é a diminuição do número de botos na costa Portuguesa, em grande parte devido à captura acidental nas redes das embarcações de pesca. São exemplos as artes de pesca como a xávega, que usa redes de cerco, mas também artes de pesca ilegal que usam redes semi-derivantes, não sinalizadas.

Com o nível de mortalidade dos últimos anos, aliado a uma população que ronda os 2000 indivíduos, estima-se que a extinção deste tímido cetáceo, na nossa costa, possa acontecer dentro de 20 anos.

A solução para evitar que os botos e outros cetáceos fiquem presos nas redes, consiste na fixação de aparelhos electrónicos, conhecidos por “pingers”, que emitem um sinal que avisa os cetáceos.

Infelizmente é uma tecnologia cara e nem todas as frotas de pesca tem recursos para a adquirir.

É urgente adoptar medidas que diminuam as capturas acidentais, mas também promover a aprovação de Sítios de Importância Comunitária (SICs), para que os efectivos desta espécie voltem a aumentar, para se distanciarem do futuro negro da extinção.

Boto 1

Links recomendados sobre esta espécie:

ICNF

IUCN

Luís Santos

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