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Transverso – O Grande Líder

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Aqui por terras do Verão tímido impõe-se a necessidade de uma figura de autoridade que tenha mão na meteorologia e dê uma alegria às férias dos portugueses e seus convidados! (Depois em Setembro acertam-se as contas).

O grande pai dos povos (e a sua prole) são sardonicamente retratados em “A Morte de Estaline(2017)”. Não é preciso avisar para spoilers, uma vez que se trata de um retrato histórico exagerado, mas, provável e ridiculamente, muito próximo da realidade. A trama desta comédia enrola-se à volta do frio cadáver de Estaline e do seu espectro vagueante sobre os múltiplos e hipotéticos sucessores, fazendo mortes, presos políticos, intrigas e golpes palacianos. O filme é a clássica história em que se corta a cabeça a uma hidra e nascem logo quatro ou cinco cabeças ainda mais vorazes, que se mordem umas às outras e não sabem em que direcção andar. A bizarria trágica destes soviéticos anos 50, em que executar pessoas fazia parte da limpeza de primavera, apresenta as várias faces do pai dos povos pintadas nos rostos do seu círculo mais privado, expondo ora o vermelho sanguinário, ora a ternura paternal, ora a mão de ferro.

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Saindo da União Soviética e do século XX, rumamos à disputada fronteira entre Inglaterra e o País de Gales, no medieval século XII.  A trilogia literária “A Árvore da Vida” de Edith Pargeter narra a saga de um brilhante artesão e a sua relação com o Lord Ralf Isambard durante (e depois) da conturbada construção da mais bela catedral, sujeita às tensões e conflitos bélicos e humanos. Este indisputado e feudal Lord exerce o seu poder para manter os limites do reino inglês e louvar o seu deus com belas obras. A particularidade formidável desta obra é estruturar este Ralf Isambard como uma figura temível, um tirano, revelando depois aos poucos um âmago sensível, apaixonado e arrependido. O enredo debate-se precisamente na fronteira geográfica e psicológica entre o amigo e o inimigo, o ódio figadal e o amor puro, esbatendo barreiras e contando os cinzentos esquecidos da história. Um óptima leitura para as frias praias deste Verão.

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Para terminar, aterramos no século XX português para conhecer um pouco mais dos meandros políticos e sociais do governo de Oliveira Salazar, pela voz de quem viveu essa altura. Enquanto viajam para o vosso destino de férias, ouçam o podcast Cem Anos Portugueses da Antena 1, um relato fiel do modus operandi do ditador luso, com pormenores domésticos, implicações nacionais e intrigas além-fronteiras. Fernando Dacosta entrega-nos uma íntima relíquia radiofónica, indispensável para destruir preconceitos (e confirmar outros) sobre esta marcante figura na história nacional.

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Boas férias, até Agosto!

Rafael Nascimento

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