Ambiente & Cidadania, Cartas da Terra, Rubricas

Cartas da Terra

Farol

Caxias, 30 de Junho de 2018

Caro leitor ou leitora

Escrevo-lhe a si e tento explicitar-me. Achando que é mais uma necessidade minha do que sua, mas mesmo assim. Tenho esta mania de tentar justificar o que faço.

  1. Precisei de um tempo de pousio.

Entre o final da Crónica Social e um outro ciclo que não soube logo o que seria.

Como precisei que uma amiga-leitora adivinhasse o fim das outras crónicas quando eu ainda não tinha tido essa consciência. Por vezes os finais (e os começos também) das relações impõem-se para além do que parece ser a nossa vontade e clarividência. Na escrita como na vida. Quando escrever é uma espécie de necessidade mais ou menos terapêutica.

  1. Palavras-chave

São três as palavras que agora se impõem: cartas, terra e ciclo.

‘Cartas’ são aqueles rectângulos de papel geralmente manuscritos que, no século passado, enviávamos uns aos outros, por correio, para nos comunicarmos. E não, têm pouco a ver com os actuais email, post e mensagens nas redes sociais.

Numa linha vintage, se quisermos etiquetar, apeteceu-me reabilitar as cartas. Gosto da ideia de tempo longo, pensado e esperado. Gosto da exposição com palavras (ou desenhos) na ideia do outro a quem destinamos a mensagem. Gosto de palavras escolhidas e sentidas. Gosto de poder decidir se guardo ou destruo as cartas.

‘Terra’ é uma palavra com tantos significados que preciso destacar alguns: terra-chão; o nome do nosso planeta; a terra onde se planta e se sujam as mãos; aquela propriedade que, em muitos casos, foi herdada, onde cresce mato e não se sabe muito bem o que lhe fazer; a terra de origem que alimenta histórias e mitos familiares e às vezes ainda alimenta o estômago e a alma com belas couves, fruta, enchidos e queijos, pão, ou outras tantas coisas que a terra e as mãos de quem a trabalha, ainda dão.

‘Ciclo’ é uma das formas de pensar a vida, a acção, a natureza, a história e muito mais que nos apeteça. É circular e tem princípio, meio, fim e reinício, em movimento permanente. Liga-se e faz trocas com os contextos. Tem durações variáveis, conforme um conjunto articulado de circunstâncias. Onde cada passagem de ‘fase’ implica desafios e sugere movimentos de aceitação e superação. Onde existe tensão entre homeostasia e movimento.

E é isto – começo um ciclo com cartas da terra.

  1. Sobre o quê?

Como nas verdadeiras cartas (quem se lembra?) sobre a vida quotidiana, as noticias, os afectos, os pensamentos e os acontecimentos. Sobretudo a partir de um ponto de vista que é o meu. A perspectiva de quem partilha pequenas histórias, das muitas com que se cruza no terreno complexo da Vida.

  1. Para quem?

Gente real renomeada, personas e gente inventada com bocadinhos de realidade e de fantasia.

Vou impor-me uma carta por mês a ver se consigo e se faz sentido. Para mim e para si.

Porque a busca de sentido é um farol.

Resolvi arriscar esperando que este farol não nos falhe e também o/a ilumine.

Termino com um abraço e desejos de tranquilidade e muita saúde,

Carta

Isabel Passarinho

2 opiniões sobre “Cartas da Terra”

  1. Amiga, desejosa de uma estória, encontrei uma carta.
    Receber noticias de alguem de quem gostamos é sempre um prazer. Embora a carta, não seja especialmente dirigida a ninguém, senti-a um pouco minha , dado que era para todos os leitores das estórias.
    Estou contente porque vou continuar a ler outras “estórias”.
    Fico a aguardar com muita expectativa.bj.

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  2. Amiga Fátima, desculpa a demora na resposta. Retribuo a expectativa de que estas cartas, abertas e públicas, possam merecer o teu interesse. Um grande abraço

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