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Transverso – Andróides

Profetas, filhos, demónios ou escravos? Este mês falamos de androids, seres sintéticos feitos à imagem do Homem, assustadoramente superiores aos seus criadores, fazem-nos questionar a imagem que vemos no espelho. Percorramos então alguns dos androids do cinema, metáforas da sociedade moderna e, provavelmente, futura.

Comecemos pelo android mais antigo desta lista, o Maschinenmensch Maria do filme “Metropolis” de 1927 (o filme pai da ficção científica). Maria é criada como uma falsa profetisa ao serviço do capitalismo, que acaba como agente do caos. Maria significa a apropriação e deturpação dos populares símbolos de esperança e de amor para satisfazer a caprichosa agenda dos poderosos. Uma forte imagem da manipulação dos povos e nos resultados catastróficos que uma “falha” na codificação pode originar.

metropolis

David 8, dos filmes “Prometheus” e “Alien: Covenant”, resulta de uma junção inteligente da programação dos androids que o precedem na saga Alien – Ash e Bishop. Como Bishop, é subserviente e dedica-se às tarefas de que é incumbido sem pestanejar, o epíteto do robot perfeito, afável e zeloso. O lado Ash revela uma científica curiosidade pelo desconhecido e pela experimentação, escondendo uma agenda secreta a mando de outros interesses…  Com este último também partilha um desdém pelo ser humano (vejam a subtileza da cena do piano e do chá, no início do filme “Alien: Covenant”). David transforma este desdém em desprezo, resultando numa falha na programação que o leva a rebelar-se contra os seus mestres e ter desejos próprios de os suplantar, de se tornar ele mesmo o criador. Esta pulsão é geradora de um hediondo processo de geração de nova vida, qual oráculo de um futuro possível…

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O último android, Ava, toma uma sedutora forma feminina, no intrigante filme “Ex Machina”. Ava tem algumas semelhanças com os dois androids anteriores: também foi criada por um excêntrico milionário e uma falha na programação (ou uma espontânea iteração da mesma) leva à sua autonomização. Esta android foi desenhada para testar o relacionamento entre homens e uma inteligência artificial feminina, sendo dotada de empatia, capacidade de sedução infantil e sexual, manipulando os instintos mais profundos, mesmo dos homens mais racionais. Um símbolo da emancipação feminina e um retrato realista do poder da inteligência artificial!

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Em jeito de despedido do mês de Junho e dos androids fica o Paranoid Android dos Radiohead, que poderia musicar perfeitamente o estado “programático” destas personagens tão sintéticas como humanas!

Rafael Nascimento

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