Ambiente & Cidadania, Naturopédia, Rubricas

Naturopédia – Nº9, Lacrau

Lacrau (Buthus ibericus) – DD ( Dados Deficientes)

Lacrau 1

O lacrau é nada mais, nada menos, o nome popular da única espécie de escorpião, que ocorre em Portugal.

Graças a estudos morfológicos e genéticos foi recentemente diferenciada a espécie ibérica, da europeia (Buthus occitanus), que até à data se pensava tratar da mesma espécie.

O lacrau ocorre de Norte a Sul do país, tendo preferência por zonas áridas, com rochas expostas onde se possa esconder durante o dia. Trata-se de um aracnídeo (tal como as aranhas e ácaros) possuidor de um exoesqueleto quitinoso, cujo corpo, alongado, é constituído por um cefalotórax robusto, e pelo abdómen, inicialmente largo e achatado, terminando numa cauda articulada de seis segmentos. O último segmento tem a forma de um espigão, designado por télson, sendo o famoso órgão inoculador de veneno que todos conhecem. Mede entre 60-65 mm. A coloração do corpo varia entre tons de amarelo, castanho e de tonalidades alaranjadas, escuras e claras. Possui quatro pares de patas e um par de pedipalpos em forma de pinças. Apresenta também pequenos pêlos ao longo do corpo e cauda.

Os escorpiões são predadores nocturnos ou crepusculares, que se alimentam principalmente de insectos e aranhas, podendo incluir também na sua dieta outros animais de maior tamanho. Para capturar as presas de menores dimensões os escorpiões utilizam somente as quelíceras, evitando dessa forma gastar desnecessariamente o seu veneno mas, nas presas de maior tamanho, recorrem ao veneno do seu aguilhão caudal que as paralisa, facilitando assim a sua captura.

É mais activo sobretudo nos meses da Primavera e Verão, sendo que nos meses de Outono e Inverno suspende em parte a sua actividade.

Lacrau 2

No ritual de acasalamento, que acontece nos meses mais quentes, o escorpião macho aproxima-se da fêmea com cautela – pois muitas vezes pagam com a vida (um em cada três machos é devorado pela fêmea) – apesar de a ter avisado previamente dos seus interesses através da libertação de feromonas (substâncias químicas). Ao tocarem-se, seguram-se mutuamente pelas pinças. Assim unidos, com as “armas” neutralizadas, o par inicia uma dança nupcial, movendo-se de um lado para outro, com as caudas erectas e por vezes até enlaçadas. Os seus passos arrastados limpam a pista de dança de gravetos e entulho. O macho expele então do seu orifício genital, no tórax, uma pequena quantidade de esperma, o espermatóforo, depositando-a no chão. Segurando com firmeza a fêmea pelas pinças, dirige-a na dança até que o orifício genital desta esteja directamente em cima do espermatóforo. A fêmea então recolhe o espermatóforo e os parceiros separam-se, seguindo caminhos diferentes.

Todos os escorpiões são ovovivíparos, ou seja, os ovos fecundados desenvolvem-se no interior da mãe, deles nascendo os pequenos escorpiões envoltos numa membrana (podem nascer mais de 50 pequenos escorpiões). Dilaceram a membrana com os aguilhões e libertam-se, subindo de seguida para o dorso da progenitora. Aí permanecem até à primeira muda da carapaça, que geralmente ocorre ao fim de duas semanas, findas as quais os jovens escorpiões estarão aptos para uma vida autónoma e solitária.

Lacrau 3

Tal como acontece com a maioria dos animais venenosos, a sua ferocidade é normalmente exagerada, pois tal como qualquer ser vivo, apenas ataca quando molestado ou encurralado.

A toxicidade do veneno do lacrau é relativamente baixa para causar grandes danos ao ser humano. Após a picada, os sinais no local podem ser mínimos, mas a dor é muito intensa e o membro forma um edema e fica parcialmente paralisado. Os sintomas que podem ocorrer são ansiedade, arrepios, cãibras musculares, ou até hipotensão. Caso não exista acompanhamento médico, a dor manter-se-á várias horas e os sintomas podem durar até dois dias, podendo persistir sintomas neurológicos durante mais de uma semana. Salvo raras excepções, como por exemplo picadas infligidas em crianças de tenra idade, o efeito do veneno do lacrau não é fatal.

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Naturdata

Luís Santos

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