Artes & Cultura

As Teias da Primeira Revolução Portuguesa

As Teias Mockup

É o título do mais recente livro de Valentino Viegas, publicado pela Obnósis Editora em Maio.

A narrativa transporta-nos para a segunda metade do século XIV, para os tempos atribulados que se seguiram à morte do rei D. Fernando, cuja única filha e herdeira, era casada com o rei de Castela.

Com a independência de Portugal presa por um fio, acompanhamos as tramas palacianas entre os partidários da viúva de D. Fernando, a rainha D. Leonor, favorável à junção das coroas Castelhana e Portuguesa, e os de D. João, Mestre de Avis (futuro D. João I), defensores da causa da independência nacional.

A história avança entre traições, morte, adultério, mais morte, tomadas de poder e morte, improváveis alianças, famílias divididas, morte, batalhas de pena e espada na mão, calorosos debates, acções de propaganda, cercos, um concorrente de Michael Phelps a atravessar o Tejo a nado, entre Lisboa e Almada, para estar em forma nos Jogos Olímpicos de 1386, levantamentos populares, peste, tácticas de guerrilha e… morte, num enredo real digno de Game of Thrones!

Ainda que a segunda parte deste confronto, nada amigável, entre Portugal e Castela, não esteja narrada neste livro, ficando talvez para a sequela o relato do excelente desempenho de Padeira (não confundir com Paneira, outro médio da equipa das quinas) como trinco da nossa seleção que, por várias vezes, trincou o courato Castelhano (fazendo o Suarez parecer um menino), não deixa a obra de nos dar conta das peripécias várias do jovem ponta-de-lança Luso, Nuno Álvares Pereira (eu sei que na t-shirt diz Nun’Álvares, mas a sério que ele se chamava Nuno e não Nun’), que depois de muita bola ao ferro nos primeiros 45 minutos, lá acabaria por marcar o tento que valeria a independência nacional no batatal de Aljubarrota, num relvado sem condições, em inferioridade numérica e com um árbitro tendencioso.

Apesar de não se chegar ao ponto histórico em que se torna evidente o génio técnico-táctico da formação Portuguesa que apostou numa formação 5-5-0, mais conhecida como “o quadrado” que nas transições ofensivas conferia liberdade ao Condestável (chamava-se NUNO com O no fim) para desbaratar a retaguarda do adversário de maneira tão eficaz como Padeira ensanduichava orelhas, não faltam, para os apreciadores de boa batatada ao estilo dos irredutíveis gauleses de Goscinny e Uderzo, momentos marcantes da resistência Portuguesa como o cerco de Almada, o de Lisboa e as não menos intensas batalhas navais no rio Tejo (enquanto o Zé Carlos fazia os 4000 m crawl entre traineiras e cacilheiros)!

É por demais evidente o extenso conhecimento do autor sobre a realidade histórica retratada, não só em Portugal, como na Europa de então, como frequentemente nos narram os personagens desta crónica romanceada que bebe muito mais do que o conteúdo histórico à sua fonte de inspiração primária, as Crónicas de Fernão Lopes.

Assim, recomenda-se a leitura a todos os que tiverem curiosidade e interesse sobre este importante período histórico, de transição da primeira para a segunda dinastia, a quem quer que sinta prazer em ver Portugal ganhar a Espanha e a todos os filhos bastardos que tenham intenções de ser alguém na vida (ao contrário do João das Neves, João I de Portugal, não precisou de várias vidas para ser rei, incha Neves!).

Bandeira Portugal

Nuno Soares

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