Artes & Cultura

William Shakespeare

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William Shakeaspeare nasceu… e se calhar esta frase não precisa de mais palavras para que os entusiastas do poeta e dramaturgo inglês comecem acesa discussão com os seus, igualmente entusiásticos, contestatários, sobre se nasceu de cabeça ou de rabo, de cesariana ou parto normal, se com 2 quilos e 600 se com 3 quilos e duzen…

William Shakespeare é o nome maior da literatura em língua Inglesa, possivelmente o autor mais estudado e certamente o mais traduzido do mundo (e não sejam abrunhos daqueles que dizem que a bíblia é que é, que estamos a falar de autores), e se não o for também, estará seguramente no grupo dos mais controversos.

Há quem conteste tudo: dizem que ele não existiu, que não era uma pessoa real mas sim um pseudónimo deste ou daquele autor (há cerca de 80 candidatos) ou até de um grupos de autores, algo tipo um pseudónimo colectivo ou um Fernando Pessoa invertido se quiserem ver a coisa assim, que existiu mas que foi uma pessoa completamente diferente que não o suposto autor das incontáveis obras que se lhe reconhecem, que existiu mas não sabia escrever (apre que se soubesse aleijava), que era um mero acionista de determinada companhia de teatro e que se apropriou de inúmeras obras (porque não sabia ler e escrever), e tudo e tudo e tudo…

Curiosamente, das poucas coisas não controversas sobre o autor, e em que a maioria dos estudiosos na matéria concorda, é que o nome de baptismo de William Shakespeare nunca foi Cátia Vanessa, nem Dona Clotilde o seu nome de casado.

Esclarecido este ponto, há a dizer sobre o autor das obras atribuídas a Shakespeare (seja o próprio, um dos muitos candidatos envergonhados a Shakespeare encapotado, ou o papagaio manco da sua tia-avó), que este possuía um aguçado espírito crítico, um caustico e afiado sentido de humor, um incrível sentido de observação e atenção a detalhes e a experiência e visão cénica e narrativa para, não só criar histórias cativantes, do romance à tragédia, da comédia à sátira, não esquecendo a poesia, mas também para as adaptar ao palco com um sucesso de tal maneira estrondoso que ainda hoje são presença recorrente nos teatros de todo o mundo, 4 séculos e meio depois do seu nascimento.   

Correndo o risco de heresia, voltemos à vida de Shakespeare. Consta que nasceu em Stratford-upon-Avon, modesta vila nos arredores de Birmingham, em 1564 e morreu na mesma localidade em 1616, isto se de facto tiver morrido, pois pode dar-se o caso de andar um senhor inglês de cabelo ralo e brinco na orelha esquerda, com 454 anos a passar férias no Algarve.

Romeo and Juliet

Entre as duas datas, Shakespeare mudou-se para Londres onde trabalhou como actor e dramaturgo. Pouco se conhece sobre os primeiros anos da vida de William em Londres, com que companhia terá actuado e para que companhias terá escrito as suas primeiras peças mas, em 1594, cria com outros associados a Lord Chamberlain’s Men, a companhia de teatro que viria a ter a exclusividade do seu trabalho subsequente, até à sua morte, e que alcança tanto prestígio na sociedade inglesa de então que, em 1603, mudam o nome para The King’s men, sob o patrocínio do recém coroado James I de Inglaterra que se torna o patrono da companhia.

William Shakespeare deixou-nos comédias como All’s Well That Ends Well (Tudo está bem quando acaba bem), The Merchant of Venice (O mercador de Veneza) ou Much Ado About Nothing (Muito barulho por nada), imortais tragédias como Hamlet, Othello, King Lear, Macbeth e Romeu e Julieta e apreciável obra poética. Para além da prolífica obra, é de salientar a vertente empresarial de Shakespeare que prosperou enquanto homem de negócios, accionista da sua companhia, mecenas e dono de várias propriedades.

A sua extensa obra escrita, a mestria com que aborda uma miríade de temas e desenvolve inúmeros personagens, ganham ainda mais relevância por Shakespeare não ter educação superior nem ter, que se saiba, alguma vez visitado as cidades europeias nas quais se desenrolam as suas peças, como Veneza ou Verona, e que, não obstante conseguiu reproduzir de maneira convincente e cativante nas suas peças, retirando inspiração em outras obras escritas e possivelmente em testemunhos de mercadores e navegadores.

Por último, há a dizer que, ao contrário do seu contemporâneo Luís Vaz de Camões, que faleceu na penúria, William Shakespeare teve arte e engenho para (tal como o supra referido) se tornar um ícone, um marco indelével na literatura do seu país e língua, mas amealhar quantias substânciais de o que quer que se usasse na altura para trocar por hortaliças, de maneira a garantir ao senhor e à sua prol um não falecimento por subnutrição. Ah! E foi capaz de manter os dois olhos…

Nuno Soares

 

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