Artes & Cultura, Nas Asas da Poesia

É entre mim e o resto que sou

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É entre mim e o resto que sou

Que o poema existe

É entre a fuga e o regresso

Que o poema corre

Criança descalça em pedras lisas

É entre mim e o que digo que o poema dorme inquieto

A descansar no voo de aves de céus diferentes

É a distância e o rasgar da pele no mesmo instante

E é no espaço entre a razão e o suspiro que o poema respira

Para ganhar depois folego entre a palavra e o seu sentido

É entre o que somos que brinca

É entre o que vemos que se esconde

Entre o que dizemos e o que não sabemos dizer

E é entre a verdade que não sei se existe e tudo o que conheço

Que o poema é gato de unhas espetadas na dúvida que dói

Como um som qualquer entre a música e o silêncio

Como fato que de tão fino nos despe

Como construção que nos derruba

O poema é silêncio passível de ser gritado

É memória e sonhos

Grito audaz da vida ante da morte

E é entrega

O poema nunca se escreve

É besta que se rói dentro das palavras

À falta de mais mundo para morder

E é abismo só para mostrar que há chão

E deserto para que haja horizonte

E noite fria a fazer almejar novas manhãs

O poema é o desejo de verdade

E a razão para a querer

O poema converge para si

Como um rio privado do mar

O poema cresce

E será Acto.  

Tiago Marcos

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