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Transverso – Um salto à Amazónia

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Não são cravos, não são capitães. São exploradores e são índios.

Este mês vamos cruzar a selva amazónica com dois filmes, um livro e umas sugestões de passeio…

O primeiro filme, El abrazo de la serpiente (2015) de Ciro Guerra, é um conto que ilustra a decadência de um mundo prístino em dois momentos da vida de um orgulhoso xamã. Este índio, memento de um conhecimento ancestral cobiçado e incompreendido pelo homem industrial, e a selva em redor são confrontados e corrompidos por gerações de exploradores e ideais europeus. Pintado a preto e branco, sem distrações de cor, para nos fazer concentrar e meditar nas texturas humanas e ambientais, que se perderam, e se estão a perder irremediavelmente.

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The Lost City of Z (2016) de James Gray combina perfeitamente com o filme anterior, podendo ser visto quase como uma prequela ao mesmo. No auge da era da exploração, um inglês aventureiro empenha toda a sua vida na procura de uma cidade perdida na selva. As várias expedições são ilustradas como grandes aventuras e grandes provações, mostrando Fawcett como um estudioso da Amazónia, um raro exemplo de respeito para com uma cultura e um espaço considerados selvagens.

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Isabel Allende inicia uma trilogia de aventuras de um neto e de uma avó, As Memórias da Águia e do Jaguar, com “A Cidade dos Deuses Selvagens”. O livro aborda a descoberta da selva por um olhar mais juvenil, entrosando problemas ambientais e de conflito com os costumes indígenas com o crescimento de um adolescente curioso e preocupado com o futuro da natureza. A maravilha de um mundo natural único e em perigo, com a sua magia e as suas trevas, é transmitida pela hábil prosa da autora, convidando para umas horas de escapismo.

Aqui em Portugal, o mais perto de uma selva amazónica é ir ao Zoo ou ao Jardim Botânico. Caso estejam a pensar ir a Londres e gostem de botânica e jardins, não poderão perder os Kew Gardens! Numa das suas inúmeras e gigantescas estufas está plantada uma selva tropical, onde poderão experienciar a imersão num matagal verde e luxuriante e o característico calor abafado, perdendo a parte da aventura no ambiente seguro e ordenado. Um pouco mais distante que Londres, em Estugarda, o zoo Wilhelma também tem uma grande área de selva, com animais e tudo, desde peixes e pequenos pássaros, numa experiência um pouco mais realista.

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Ou então, vão juntando uns dinheiros e rumem à verdadeira selva sul americana! Descobri uma rota (ainda não a testei pessoalmente) relativamente fácil de fazer: voar para Lima, no Perú, e depois apanhar o avião para Puerto Maldonado ou Iquitos. Dá trabalho e custa dinheiro, mas em troca podemos viver por uns dias o sonho verde da floresta absoluta!

Em Maio voltamos a falar.

Rafael Nascimento

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