Artes & Cultura, Nas Asas da Poesia, Rubricas

Nas Asas da Poesia – Admentir é o primeiro passo

admentir

Quando era moço pequeno

fui prendado com chapadas

por macular a verdade

com umas mentiras safadas.

 

Tomei sermões, malaguetas,

rezei Pais Nossos e alheios

por meias verdades, petas

que me custaram recreios.

 

Cresci. Mas não me curei

nem com reguadas de morte!

Menti tanto quanto jurei

falar verdade…e tive sorte.

 

Só me apanharam metade

das aldrabices que eu fiz.

Minto, naquela idade

nem um quinto foi ao juiz!

 

Se às raparigas menti

não foi jamais por maldade,

foi honesto o que senti…

só lhe faltou validade.

 

E a meus pais, Deus me leve

se não honrei com esmero!

Se houve omissão, pouca e breve

e se menti…fui sincero!

 

Aldrabice é precipício,

verdade é estrada infinita!

Mas tenho por sina e vício

uma verdade…mais bonita!

 

Se o coxo, há quem garanta,

foge mais que um mentiroso

Não temo! Abro a garganta

e juro que sou bondoso!

 

Mentira é pronto-socorro,

voluntária sempre atenta!

Verdade é pior que aforro,

tem perna mais curta e lenta.

 

Por ser no mundo precisa

tem seu dia de homenagem:

mentira boa suaviza

a realidade selvagem.

 

E na hora em que à pedra chamem

os mestres da sacanagem,

Amigos!, Irmãos!, não reclamem…

e façam boa viagem!

Roberto Leandro

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