Artes & Cultura

D. Afonso III

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Afonso III a ostentar farta pilosidade facial e headphones

Afonso III foi o 5º rei de Portugal (ou o 1º a seguir ao 4º) e o primeiro que não sucede a seu pai, mas a seu irmão Sancho II, filho primeiro de Afonso II, para além de ser o primeiro filho não primogénito (ou primeiro) a ganhar a primeira guerra civil digna de nome no reino de Portugal, entre 1245 e 1247.

Mas já lá vamos… antes de mais, vale a pena recordar que D. Afonso III, o Bolonhês (primeiro rei a ter um cognome estrangeiro), nasceu algures entre os seus pais se terem conhecido e o nascimento do seu irmão mais novo, Fernando. Na verdade, e talvez daí a necessidade de querer ser sempre o primeiro, o nascimento de Afonso não foi digno de grande nota (ou se foi nenhuma que se conheça chegou até hoje), pois enquanto 3º filho (o primeiro depois de Sancho e Leonor) de Afonso II não lhe caberia, mas ao irmão, herdar o trono.

Assim, através do cruzamento de várias datas e documentos da família real na década de 1210, quem estuda estas coisas diz que o período mais provável para o nascimento de D. Afonso é entre 1212 e 1217, uma flexibilidade que, à semelhança de Mantorras, teria sido vantajosa caso Afonso tivesse seguido uma carreira futebolística, o que devido ao desporto em questão não ter sido inventado, não aconteceu. Uma pena.

Relegado para o lote dos filhos segundos (primeiro dos filhos não primeiros) e para evitar disputas de sucessão, Afonso é enviado para a corte de França, aos cuidados de sua tia, a rainha D. Branca (pois é). Aqui, e até 1245, quando regressa a Portugal para guerrear com seu irmão, Afonso forma-se nas artes políticas, administrativas e marciais, destacando-se na batalha de Saintes, onde o rei de França, Luís IX, vence o oposicionista condado de Toulouse. Afonso casa-se ainda em terras Francesas, com Matilde, condessa de Boulogne, casamento político arranjado pela rainha D. Branca e extremamente favorável a um filho segundo que passou, daí em diante, a usar o título de conde de Boulogne e a partilhar o leito com uma senhora francesa com idade para ser sua tia-avó.

Mas Portugal é terra de saudade e quando o Papa Inocêncio IV decidiu que D. Sancho II tinha tantas condições para governar Portugal como Bruno de Carvalho para administrar o Sporting, começou a perguntar por aí se não era capaz de haver alguém que fizesse melhor trabalho. O voluntarioso bispo de Coimbra D. Tibúrcio (um dos que tinha feito queixas ao Papa por não gostar de Brun… de Sancho II) lembrou-se de que era capaz de haver um rapazito de boa estatura por terras Francesas que daria bem conta do recado.

Qual salvador (a cantar e a fazer gestos esquisitos com os braços enquanto torce a cara), chega D. Afonso a Portugal, em 1245, para “administrar” o reino. O seu irmão não achou graça e guerrearam que nem uns valentes até 1247. Depois de duas temporadas o director do canal informou-os que as audiências estavam a baixar e D. Sancho retirou-se para além-fronteira vindo a morrer em Janeiro de 1248, em Toledo, por ser boa altura visto não ter nada marcado para Fevereiro.

Depois de todo este drama, de não ser filho primeiro, de ser exilado para França, de ter uma tia chamada D. Branca, de partilhar leito com uma senhora de idade, de ser apoiado por D. Tibúrcio, de raptar a cunhada para que o irmão não lhe pudesse fazer um filho (verídico), de guerrear com o irmão e com a parte da família que preferia Cerelac a Inocêncio, começa finalmente o reinado de D. Afonso III.

Para manter a agenda ocupada, não fosse acontecer-lhe o mesmo que ao seu irmão, decide invadir o Algarve e conquistar as praças que ainda estavam nas mãos dos mouros da Taifa de Niebla, nomeadamente Faro, Albufeira e Porches, o que chateou Afonso X, de Castela, que acabara de conquistar Sevilha e queria todo o sudoeste peninsular para si.

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Estátua de D. Afonso III, em Faro

Começa então um dos momentos históricos mais parvos da história de Portugal e de Castela, altura em que ambos os reis, Afonso III e Afonso X, se intitulam, para além de reis do respectivo reino, reis do Algarve, numa óptica de que talvez se insistissem pela repetição, miraculosamente se resolvesse o diferendo sobre o território compreendido entre Aljezur e Huelva. Este acabaria por ser resolvido com a ajuda de Inocêncio IV (thug life, Papa rules) depois de Afonso III se ter comprometido a casar, desta feita com a filha bastarda de Afonso X de Castela, Beatriz, com idade para ser sua neta. Deste acordo saiu ainda que as praças além Guadiana que estavam nas mãos dos Portugueses passariam para o rei de Castela e que as aquém Guadiana ficariam nas mãos de Portugal quando o filho de Afonso e Beatriz (D. Dinis) subisse ao trono.

Contas feitas, ainda que Afonso III se possa gabar de ter sido de facto o primeiro rei de Portugal e do Algarve, foi D. Dinis, seu filho que gozou dos plenos direitos estatutários sobre a região, cuja regência foi partilhada com Castela até então.

Para além de definir as fronteiras continentais de Portugal (que permanecem até hoje), D. Afonso III destacou-se ainda por ser um grande legislador que tornou frequentes as cortes (assembleias onde as várias classes sociais se reuniam perante o rei para lhe levarem os problemas que careciam de uma resolução que os ultrapassava) e as abriu ao povo, um organizador de estado que fundou localidades, criou instituições, estabeleceu códigos de justiça e criou um conselho, que passaria a ser norma depois de si, de peritos em várias matérias, eclesiásticos e seculares, para aconselhar o rei na governação e na decisão dos mais diversos assuntos.

Transferiu a capital do reino de Coimbra para Lisboa e foi pai de D. Dinis, o rei Poeta que continuaria a tendência de desenvolvimento industrial, comercial e intelectual do país que deixou como legado.

Havia de morrer em Fevereiro de 1279, para fazer pirraça a seu irmão, uma vez que foi o primeiro dos dois a chegar ao mês de Fevereiro do ano em que morreu.

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Mosteiro de Alcobaça, onde foi sepultado D. Afonso III
  1. Nuno Soares

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