Ambiente & Cidadania, Naturopédia, Rubricas

Naturopédia – Nº5, Águia-de-bonelli

Águia-de-bonelli (Aquila fasciata) (LC – Pouco Preocupante)

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Também conhecida como águia-perdigueira, a águia-de-bonelli é uma ave de rapina de grande dimensão difícil de observar, devido aos seus hábitos discretos e da inacessibilidade de muitos dos locais onde ocorre. Identifica-se sobretudo pelo ventre branco, contrastando com as asas mais escuras. Os adultos possuem uma mancha branca no dorso, enquanto que os juvenis têm as coberturas infra-alares de tom alaranjado. 

Alimenta-se de aves capturadas em pleno voo, desde perdizes a pombos, o que lhe valeu o nome de “perdigueira”. Come também mamíferos de pequeno porte, como coelhos, e ainda répteis, mas estes últimos com menos frequência.

Possui uma ampla distribuição que se estende desde o noroeste africano, até ao norte da Indochina e sul da China, incluindo toda a bacia do Mediterrâneo, Médio Oriente e Índia. No Paleárctico Ocidental encontra-se confinada à zona mediterrânica, nomeadamente na Albânia, Bulgária, Chipre, Croácia, Espanha, França, Grécia, Itália, Portugal e Turquia.

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Em Portugal, a águia-de-bonelli nidifica principalmente nas regiões montanhosas e nos vales alcantilados do nordeste, na Beira Baixa, no Alentejo e nas serras algarvias. Ocorre também de forma dispersa na faixa litoral centro, em alguns dos pequenos maciços montanhosos cársicos dessa zona. Diversas áreas do Baixo-Alentejo, nomeadamente as vastas zonas estepárias, são regularmente utilizadas pela espécie como quartéis de dispersão e invernada de imaturos e sub-adultos.

Esta ave é uma das espécies-alvo do LIFE Rupis (2015-2019), um projecto com apoios comunitários, coordenado pela SPEA e realizado no Douro Internacional, na região do Nordeste Transmontano.

Em território português, está Em Perigo de extinção, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (2005). No entanto, há sinais de que a população portuguesa está a aumentar em número e em área de distribuição, o que está associado à evolução positiva dos casais arborícolas, que utilizam árvores para fazer os seus ninhos, no Sul do país. A última estimativa nacional é de 2011 e aponta para um total de 116 a 123 casais, mas actualmente estará subestimada.

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As maiores ameaças para esta espécie são três: o desaparecimento do seu habitat devido às mudanças no uso dos solos, que no Nordeste Transmontano leva à diminuição das presas e, mais a sul traduz-se no corte de grandes árvores, provocando o desaparecimento dos locais para os ninhos; a perturbação na época de reprodução, de Dezembro a Junho, pois esta espécie é particularmente sensível à presença humana em redor dos ninhos durante esta fase crítica e a electrocussão em linhas eléctricas de média e alta tensão, que afecta tanto os adultos como as águias-perdigueiras jovens.

Curiosidades:

  • A águia-de-bonelli foi escolhida pela SPEA como Ave do Ano, de forma a sensibilizar para as ameaças que a espécie enfrenta e para a sua importância no equilíbrio dos ecossistemas, como predador de topo na cadeia alimentar.
  • Está presente no emblema do Portimonense, sendo também a mascote desta equipa de futebol do Algarve.
  • Os pombos domésticos são responsáveis por uma das ameaças à conservação da espécie, uma vez que lhe transmitem a tricomaníase, uma doença mortal.

Alguns links úteis sobre a espécie:

Ficha no Aves de Portugal: http://www.avesdeportugal.info/aqufas.html

Ave do ano 2018, SPEA: http://www.spea.pt/pt/noticias/a-aguia-perdigueira-e-a-ave-do-ano-2018/

Projecto Life Rupis: http://rupis.pt/pt/

Luís Santos

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