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Nas Asas da Poesia – Sem saída

 

Sem saída

Em cada dia volvido,

em cada beijo trocado

Em cada gesto escondido,

 em cada abraço apertado,

Há um sentimento fervido,

 em lume brando e salgado.

 

Em cada boca sorrindo

à luz da pele que desnuda,

Em cada ânsia pedindo

a emoção que não muda,

Há sentimentos florindo,

há uma saudade sisuda.

 

Em cada mão que se abriga

numa outra mão solitária,

Em cada lábio que instiga

a insensatez voluntária,

 

Há calafrios na barriga,

tremores de fome incendiária,

E simulacros de briga

e disfunção coronária.

 

Há nevoeiros de medo

e brumas de tempestade,

Há palavras em segredo

que se escrevem pela cidade.

 

Há recantos proibidos

e moradas vigiadas,

E olhares que são seguidos,

e palavras amarradas.

 

Há o querer-te, e querer demais,

e perder-te a cada dia.

E encontrar-te nos sinais,

nas migalhas de alegria.

 

Há silêncio e espera e nada.

Olhos baços, choro e dor.

Desespero e madrugada,

Entre os dias deste amor.

Roberto Leandro

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